A evolução da população do
concelho de Albergaria-a-Velha tem-se caracterizado por um gradual crescimento
dos seus efectivos populacionais, embora nem sempre de forma linear. Tendo como
referência o período entre 1864 e 2011, verifica-se que o concelho teve uma
certa dinâmica populacional, embora com diferentes ritmos de crescimento entre
freguesias, revelando uma elevada heterogeneidade espacial. O fluxo migratório
teve particular importância, uma vez que afectou as camadas mais jovens da
população, sendo estas cruciais para o crescimento populacional e a renovação das
gerações.
A evolução da população
residente no concelho revela um crescimento assinalável no período compreendido
entre 1864-78 (crescimento médio anual de 1,21%), em que ocorre um acréscimo
populacional de 17%. No período seguinte, entre 1878-90, ocorre pela primeira
vez (em relação aos 130 anos aqui analisados) uma diminuição da população
(decréscimo absoluto de 2,2%), a que corresponde uma diminuição média anual de
0,18%. Neste período, destaca-se a forte corrente emigratória para o Brasil.
Entre 1890 e 1900, a população
retoma a fase de crescimento, com um aumento de cerca de 5% durante este
período. No período intercensitário de 1900 a 1911, o ritmo de crescimento
acentua-se (0,73% por ano), registando-se um acréscimo populacional de 8% nessa década.
Entre 1911 e 1920, verifica-se uma significativa diminuição do ritmo de
crescimento populacional (acréscimo anual de 0,11%), em consequência,
sobretudo, da deflagração da I Guerra Mundial, à qual se associou uma forte
corrente emigratória. Deste modo, a população aumenta neste período apenas 1%. Nas décadas de 20 e 30, desencadeia-se uma aceleração progressiva do
ritmo de crescimento (acréscimos anuais de 0,37% e 1,04%, respectivamente), com
ganhos populacionais absolutos de 4% e 10%, em cada um dos períodos mencionados.
Nos anos 40, o ritmo de crescimento decresce para cerca de 0,59% por ano, em
consequência da II Guerra Mundial. Na década de 50, inicia-se um novo surto
emigratório, cujos efeitos tiveram a sua manifestação mais significativa na
década seguinte. Deste modo, nos anos 50 o ritmo de crescimento desacelera
consideravelmente (passa para 0,32% ao ano), agravando-se de tal forma que na
década seguinte a população vai mesmo diminuir (-0,25%). Em termos históricos,
este foi o período de emigração mais intenso no concelho.
As décadas de 70 a 90
vão assumir-se como as de maior crescimento populacional dos últimos
cinco quartos de século. A primeira destas décadas, apesar de sofrer ainda a
influência quer do surto emigratório registado na década anterior, quer ainda
da diminuição tendencial do Saldo Fisiológico, vai manifestar um forte
crescimento populacional (acréscimo anual de 1,6%). Este ritmo de crescimento é
influenciado pela diminuição muito significativa da emigração durante a segunda
metade da década de 70, a que cumulativamente se associa a fixação no concelho
de contingentes muito significativos de indivíduos provenientes das
ex-colónias, ocorrendo deste modo um acréscimo populacional absoluto de mais de
18%. A década de 80, apesar de denotar uma diminuição do ritmo de crescimento
relativamente à década anterior, manifesta, quer relativamente à dinâmica
histórica do concelho, quer comparativamente a outras áreas geográficas, um
crescimento muito assinalável (acréscimo absoluto de 13,2%). O concelho de
Albergaria-a-Velha assume-se, neste período, como o de maior crescimento
relativo da população em todo o Distrito de Aveiro, situando-se ainda entre os
de maior crescimento em todo o país. Finalmente, a partir da década de 90 até
ao ano de 2011, houve um aumento populacional ainda bastante significativo,
destacando-se a década entre 1991 e 2001.
As estimativas mais recentes realizadas pelo
INE indiciam uma diminuição significativa da população residente após 2011. Esta
diminuição está associada ao forte fluxo emigratório em consequência da crise
económica de 2009.
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