terça-feira, 27 de outubro de 2015

Características Morfológicas, Litológicas e Pedológicas

O concelho de Albergaria-a-Velha apresenta uma variedade de situações morfológicas, nomeadamente um conjunto de elementos físicos reveladores de uma dicotomia campo/serra que se distingue entre diferentes tipos de relevo e altimetria: na zona Oeste predomina o relevo ondulado, onde a altitude raramente ultrapassa os 100 metros, enquanto na zona Este o relevo é muito mais acidentado, podendo atingir os 400 metros de altitude. Estas diferenças reflectem a transição entre o maciço rígido central e a zona mesozóica e cenozóica, sendo que, no concelho, estas duas unidades morfológicas estão separadas pela faixa de cisalhamento de Porto-Albergaria-a-Velha.

Os declives presentes no território concelhio, resultantes das formas de relevo, das especificidades do solo e subsolo, da orientação das vertentes e do encaixe das bacias de drenagem existentes, evidenciam a presença de uma paisagem mais acidentada no quadrante Este, a contrastar com a área central e Sudoeste, com declives pouco acentuados e com situações pontuais de áreas deprimidas e inundáveis, de que são exemplo a Pateira de Frossos, alimentada pelo Rio Vouga, e o troço final da Ribeira de Albergaria.

Em termos pedológicos e litológicos, o território do concelho reflecte também a transição entre o maciço rígido central e a zona mesozóica e cenozóica, ou seja, duas regiões com bastantes diferenças em termos de constituição geológica e de relevo. Assim, as freguesias ocidentais de Angeja, Frossos, São João de Loure e Alquerubim encontram-se sobre formações sedimentares com origem nos períodos geológicos do Holocénico, Jurássico-Triásico e Plio-Plistocénico. Estas zonas, menos elevadas, em geral com um relevo suave e encostas normalmente orientadas a poente, têm origem nos depósitos aluvionares das margens do Rio Vouga, bem como nos depósitos de antigos terraços marinhos e fluviais, em consequência quer da erosão diferenciada, quer da acção da tectónica. Na zona aluvionar do Rio Vouga, correspondente ao Holocénico, predominam os aluviões de natureza fina, siltosa e argilosa, que possuem elevado teor em matéria orgânica, que lhes confere um aspecto lodoso, estando os terrenos encharcados quase em regime permanente. Os solos predominantes são os Fluvissolos, na zona aluvionar do Vouga, e os Solonchaks, na zona correspondente à bacia da Ria de Aveiro. No restante território concelhio predominam os Cambissolos. Ao penetrarmos, para Este, no interior destas freguesias, os períodos geológicos vão-se sucedendo em diferentes camadas, assim como as unidades litológicas e o tipo de solo característico. Assim, ao Holocénico sucedem, a uma cota superior e já imunes às inundações do Vouga, os terrenos com origem no Jurássico-Triásico, com os seus grés-vermelhos de Silves, conglomerados, margas e até alguns calcários. Nestas freguesias, podemos ainda encontrar rochas do Plio-Plistocénico, com as suas areias, calhaus rolados e argilas. Na freguesia de Angeja encontram-se também algumas areias e cascalheiras do Plistocénico e uma pequena faixa composta por rochas do Pré-Câmbrico.

Nas restantes freguesias do concelho predominam as formações sedimentares e metamórficas. Nas freguesias de Albergaria-a-Velha e da Branca, sensivelmente até ao vale do Caima, sobressaem as formações com origem no Pré-Câmbrico, com os seus xistos, anfibolitos, micaxistos, grauvaques quartzitos, rochas carbonatadas e gnaisses. Nas freguesias de Ribeira de Fráguas e Valmaior, o tipo de formação geológica tem origem no período do Câmbrico ao Pré-Câmbrico, predominando os xistos grauvaques intensamente fracturados. Simultaneamente, encontram-se também pequenas manchas do período do Devónico ao Ordovícico, com os seus quartzitos característicos.

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in Bastos, João Pedro (2014). Dinâmicas Territoriais em Albergaria-a-Velha

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