O concelho de Albergaria-a-Velha apresenta uma
variedade de situações morfológicas, nomeadamente um conjunto de elementos
físicos reveladores de uma dicotomia campo/serra que se distingue entre
diferentes tipos de relevo e altimetria: na zona Oeste predomina o relevo
ondulado, onde a altitude raramente ultrapassa os 100 metros, enquanto na zona
Este o relevo é muito mais acidentado, podendo atingir os 400 metros de
altitude. Estas diferenças reflectem a transição entre o maciço rígido central e
a zona mesozóica e cenozóica, sendo que, no concelho, estas duas unidades
morfológicas estão separadas pela faixa de cisalhamento de
Porto-Albergaria-a-Velha.
Os declives presentes no território
concelhio, resultantes das formas de relevo, das especificidades do solo e
subsolo, da orientação das vertentes e do encaixe das bacias de drenagem
existentes, evidenciam a presença de uma paisagem mais acidentada no quadrante Este, a contrastar com a área central e Sudoeste, com declives pouco acentuados
e com situações pontuais de áreas deprimidas e inundáveis, de que são exemplo a
Pateira de Frossos, alimentada pelo Rio Vouga, e o troço final da Ribeira de
Albergaria.
Em termos pedológicos e litológicos, o território do concelho reflecte também a
transição entre o maciço rígido central e a zona mesozóica e cenozóica, ou
seja, duas regiões com bastantes diferenças em termos de constituição geológica
e de relevo. Assim, as freguesias ocidentais de Angeja, Frossos, São João de
Loure e Alquerubim encontram-se sobre formações sedimentares com origem nos
períodos geológicos do Holocénico, Jurássico-Triásico e Plio-Plistocénico.
Estas zonas, menos elevadas, em geral com um relevo suave e encostas
normalmente orientadas a poente, têm origem nos depósitos aluvionares das
margens do Rio Vouga, bem como nos depósitos de antigos terraços marinhos e
fluviais, em consequência quer da erosão diferenciada, quer da acção da
tectónica. Na zona aluvionar do Rio Vouga, correspondente ao Holocénico,
predominam os aluviões de natureza fina, siltosa e argilosa, que possuem
elevado teor em matéria orgânica, que lhes confere um aspecto lodoso, estando os
terrenos encharcados quase em regime permanente. Os solos predominantes são os
Fluvissolos, na zona aluvionar do Vouga, e os Solonchaks, na zona
correspondente à bacia da Ria de Aveiro. No restante território
concelhio predominam os Cambissolos. Ao penetrarmos, para Este, no interior
destas freguesias, os períodos geológicos vão-se sucedendo em diferentes
camadas, assim como as unidades litológicas e o tipo de solo característico.
Assim, ao Holocénico sucedem, a uma cota superior e já imunes às inundações do
Vouga, os terrenos com origem no Jurássico-Triásico, com os seus grés-vermelhos
de Silves, conglomerados, margas e até alguns calcários. Nestas freguesias,
podemos ainda encontrar rochas do Plio-Plistocénico, com as suas areias,
calhaus rolados e argilas. Na freguesia de Angeja encontram-se também algumas
areias e cascalheiras do Plistocénico e uma pequena faixa composta por rochas
do Pré-Câmbrico.
Nas restantes freguesias do concelho
predominam as formações sedimentares e metamórficas. Nas freguesias de
Albergaria-a-Velha e da Branca, sensivelmente até ao vale do Caima, sobressaem
as formações com origem no Pré-Câmbrico, com os seus xistos, anfibolitos,
micaxistos, grauvaques quartzitos, rochas carbonatadas e gnaisses. Nas freguesias
de Ribeira de Fráguas e Valmaior, o tipo de formação geológica tem origem no
período do Câmbrico ao Pré-Câmbrico, predominando os xistos grauvaques
intensamente fracturados. Simultaneamente, encontram-se também pequenas manchas
do período do Devónico ao Ordovícico, com os seus quartzitos característicos.
in Bastos, João Pedro (2014). Dinâmicas Territoriais em Albergaria-a-Velha
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